Editora Sulina
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Olha a Folha


Walter Galvani

ISBN: 85-205-0120-6
Categoria(s): Comunicação     
Edição: 2ª - 2002
Formato: 14 x 21 cm
Nº de Pag.: 208
Peso: 0,240 Kg

R$ 32,00

Disponibilidade: em estoque

Fui o último diretor da Folha da Tarde. Coube-me, portanto, a inglória tarefa de fechar a porta e apagar as luzes. Ficou, no fundo do peito, uma enorme amargura de que não me livrei ainda. Talvez, com este resgate histórico que estou fazendo agora, possa começar a encarar em paz a coleção de jornais, os recortes carinhosamente guardados, ou cruzar pelos colegas nas esquinas da vida sem tentar articular explicações e, quem sabe, desculpas. Passados mais de dez anos do ato final, ainda sinto uma grande mágoa e um sentimento de impotência que se enovela como uma serpente adormecida. Perdemos. É o único verbo que me ocorre para situar o que aconteceu com a Folha da Tarde, que mantinha indiscutivelmente um caso de amor com Porto Alegre. Depois do sucesso esplêndido que ela foi, aconteceram tristes momentos de erro, traição e abandono. A morte estava à espreita no dia 16 de junho de 7984, quando o jornal chegava aos 48 anos de circulação. Mas, foi tal a sua força, que marcou toda a Imprensa que até então se fazia no Rio Grande do Sul, e tudo que veio posteriormente. Quando a folha surgiu, em 36, todos os jornais eram grandes, formato standard. Quando ela saiu de circulação já quase todos eram tablóides, que hoje virou marca registrada de nosso estado. Até o Correio da Povo, "pai" da Folha da Tarde seguiu n seu caminho: é tablóide desde 87. Vivemos histórias incríveis, momentos consagradores, e atravessamos muitas dificuldades. Lutamos com a censura e com a incompreensão. Inveja e competição, afinal, inimigos naturais também se atravessaram em nosso caminho. Mas, perdemos para nós mesmos. As mudanças erradas, a falta de segurança e persistência em nossas propósitos é que trouxeram mesmo a nossa derrota. Apenas apressada pela crise financeira que a empresa viveu. Retomando hoje esta história, a gente sente que faltou um pouquinho de reação, talvez. Da cidade, dos amigos, dos leitores. Mas, em caso de amor e traição 0 jeito é ficar com o que resultou apenas. Será que se poderia mudar alguma coisa? E adiantaria?
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