Editora Sulina
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Navegar é administrar

02/11/2003

A presença do veleiro Hirondelle, atracado no Cais do Porto junto à Casa Cor, é um símbolo da valorização da natureza. Edwin Rudyard WolffDick e sua mulher, Elisete Pereira de Souza, têm vivido momentos inesquecíveis no Hirondelle, de propriedade de Elisete, e no Madrugada, que pertence a WolffDick e se encontra na marina do Clube Jangadeiros.

Tanto o Hirondelle quanto o Madrugada são personagens de dois lançamentos da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre: Timão & Fogão - Histórias Curtas de Bordo e Receitas, e Linguagem do Mar, obra mais técnica dirigida às pessoas que querem navegar (Editora Sulina).

Ano passado, WolffDick lançou Steppennwolff e o Centauro Navegador, contando sua história de amor pela navegação. Foram os companheiros de barco, em alusão ao corpo peludo do rapagão, que lhe deram aquele apelido.

Centauro foi um jovem irreverente, da geração Woodstock, mas que conseguiu conciliar a paixão por navegar com seus estudos de Direito até se tornar um próspero advogado da área comercial. Viveu no Exterior e prestou consultoria a uma grande empresa, na Suíça. Também Elisete Pereira de Souza, sua mulher e capitã, sabe se dividir entre o prazer de velejar e a profissão. Ela é médica, cirurgiã plástica especializada em correção de pálpebra e trabalha de segunda a quinta-feira no consultório.

- Quando nós estamos voltando da Lagoa dos Patos, navegando prazerosamente pelo Guaíba, lembramos do porto-alegrense que também retorna do final de semana, mas enfrenta o estresse na free-way - revela Elisete, feliz com essa paixão que é um forte elo entre o casal, que se conheceu num curso para capitão amador.

Chama-se Madrugada Ciência a empresa de WolffDick e Elisete para cursos sobre velejar e atender a profissionais de outras áreas que desejam andar de barco e fazer observações ambientais. Outra atividade é realizar palestras para executivos, a partir da comparação entre navegar e administrar.

- Um barco é uma empresa, sim. Para 10 dias de navegação é preciso planejamento, em especial das previsões do tempo - esclarece o navegador. - Correr atrás do saldo bancário é como uma previsão de ventos e calmaria e se uma empresa funciona com dinheiro, nós navegamos com o tempo. Tanto naquela como no barco precisamos nos preparar para enfrentar as tempestades que se aproximam.

Quando estão no mar, Elisete e WolffDick se revesam nas tarefas, de hora em hora, mas ele diz que a mulher é sua capitã, ele segue suas ordens, pois até máquinas ela concerta. - Eu sou cozinheiro e navegador e, nas horas vagas, timoneiro - completa.

O casal costuma levar amigos a bordo. Elisete não dispõe de utensílios de vidro no barco, e os copos são de acrílico colorido, até para champanha, sua bebida preferida à hora do crepúsculo. Já o marido toma Underberg com coca -cola ou uísque. Quanto aos cardápios de bordo, como o fogão é de duas bocas, não mais de dois pratos.

Estes dois dinâmicos capitães estendem sua cumplicidade à autoria dos livros - ele coloca as idéias e ela dá o formato. Dia 6, quinta-feira, às 18h30min, farão uma palestra no Santander Cultural, seguida de sessão de autógrafos na Feira do Livro.

- Madrugada Ciência - Tel: 91911830 ou 3268 2310.
(Célia Ribeiro para o jornal Zero Hora / Porto Alegre)

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