Editora Sulina
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Livros do peru

24/12/2003

A penas dois tipos de presente de Natal me fascinam: livros e CDs. A MPB me deslumbra. Tudo me parece criativo, de Roberto Carlos ao rap e ao poeta máximo, Chico Buarque. Já como auxiliar literário do Papai Noel, darei dez sugestões aos que ainda precisam correr para não deixar ninguém triste neste Natal. A minha lista é uma cesta básica que permite satisfazer amigos, parentes, amores, jovens, velhos e até a sogra. Vai da crítica social divertida à nostalgia sofisticada. Ler é que é a melhor herança. Experimente!

1. 'Extensão do domínio da luta' e 'Partículas elementares', de Michel Houellebecq. Nada mais ousado, irônico, bem-humorado e delicioso. Houellebecq reinventou a maneira de fazer romances e abriu espaço para personagens inteligentes e com as reflexões de cada um de nós. 2. 'O livro da ilusões', de Paul Auster, a obra mais acabada do mais sutil e generoso escritor pós-moderno. 3. 'Como ser legal', de Nick Hornby, uma das mais hilariantes crônicas do cotidiano das classes médias atuais. 4. 'O bonde', do prêmio Nobel Claude Simon, uma magnífica aula de memorialismo e de recuperação da infância num fluxo contínuo de tontear. 5. 'O herói devolvido', de Marcelo Mirisola, contos (ou crônicas?) do mais irreverente escritor brasileiro da nova geração. 6. 'Cosmópolis', de Don DeLillo, uma espetacular distopia sobre nossa era tecnológica. 7. 'Fronteira rebelde', de John Chasteen, obra-prima sobre a história de nossos caudilhos escrita por um norte-americano de rédeas soltas. 8. 'O próximo amor', de Yves Simon, suave e maravilhosa história sobre os amores que terminam e os amores que começam. 9. 'Mínimos, múltiplos, comuns', de João Gilberto Noll, microtextos essenciais (contos? romances?) do autor gaúcho de escrita mais contundente e inovadora. 10. Para compreender tecnologias e conflitos do nosso mundo em efervescência: 'Power inferno', de Jean Baudrillard, com suas hipóteses sobre o terrorismo, e 'Internet, e depois?', de Dominique Wolton, um balanço das ilusões e das promessas da Internet. Hors-concours: 'Flores do mal, o amor segundo Charles Baudelaire', edição bilíngüe de parte da obra do mais bendito de todos os poetas malditos. Se não gostar da tradução, o original está lá com sua mágica perfeição, ou busque a tradução completa de Ivan Junqueira.

Juremir Machado da Silva para o CORREIO DO POVO / Porto Alegre / RS
(juremir@pucrs.br)


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